Sorte no amor
Eu não tenho pena dos que não conseguem se apaixonar, tenho pena dos que se apaixonam muito facilmente. Eu tinha tanta pena d mim mesmo que acabei por tomar jeito… Agora tenho pena dos que sentem pena d mim. Eles choram, eu não. A final de contas, o que motiva mais o choro que o amor?! Mais que morte, que a pobreza o fracasso ou a decepção -tiro isso por experiência, tanto as minhas –que carrego com orgulho- quanto as que presencio hoje em dia. Podem não concordar comigo enquanto freqüência, mas, enquanto intensidade, creio que concordarão. Não há dor maior e mais duradoura que a do amor, por que ela não morre, ela persegue. Ela vem junto com a vergonha, uma vez que você deseja tanto aquilo que não pode conseguir, que lhe é negado, é platônico, porém lhe falta força ou até mesmo vontade de extrair aquilo do coração e, então, voltar a sorrir. Junto com o desprezo, não pelo ser amado, mas pelo “ser amado”, por si próprio, por não ser merecedor, por não ser correspondido. E como se não bastasse, nem a amizade, o que pra mim é a representação da felicidade, já não consegue te alegrar. … Como tudo tem os seus dois lados, o lado bom do amor, pra mim, tem um nome: Sorte. Sorte é, apenas, não passar por tudo isso quando se apaixona por alguém, ou é achar alguém que te faça esquecer o que o amor outrora provocou.